segunda-feira, 24 de maio de 2010

Instituto Butantã aumentou demanda de energia e reestruturava rede


O Instituto Butantã havia decidido, em outubro do ano passado, duplicar a carga de energia e implantado geradores próprios para dar conta da demanda, que não podia ser toda atendida pela Eletropaulo.

Para o incremento, a rede elétrica, fora e dentro do prédio, passava por intervenções. “Em outubro (de 2009), o cliente nos procurou, avisando que estaria dobrando a demanda e que, para isso, precisava de uma adequação nos equipamentos externos. Queria que terminássemos em um prazo que não dava para atender”, explica William Fernandes, responsável pela regional sul da Eletropaulo.

Segundo ele, a principal preocupação era com a necessidade de produzir as vacinas contra a gripe, especialmente a da gripe suína, cuja campanha de imunização está em curso no País.

O Butantã, com o aumento da carga, passaria a ser comparável a um shopping grande, mas a empresa só podia garantir a metade da energia demandada.

Assim como outros clientes, o instituto decidiu então utilizar geradores a diesel e fazer as adequações internas necessárias, que são de responsabilidade inteira do cliente. A empresa apenas verificou se não iriam interferir em sua rede e seguiu com suas obras. Na data do incêndio, a energia externa foi desligada para a conclusão dos trabalhos e liberação posterior para a cabine primária, quando a concessionária foi surpreendida pelo fogo na parte interna. “Não houve nenhum registro de ocorrência e nenhuma oscilação em nossa rede”, afirma Fernandes. Ele disse não saber se o grupo de geradores estava funcionando.

De acordo com o professor do Departamento de Energia da Unesp Guilherme Felippo Filho, que destacou estar falando em tese, o aumento da carga exige estudos e projetos e não é algo que se faça “do dia para a noite”, o que justifica a limitação da Eletropaulo. Já a geração própria de energia, que é rotina em muitas empresas, pede intervenções na rede interna. “Um incêndio é como queda de avião: nunca tem uma causa só”, disse ainda.

Sobrecarga. Segundo pesquisadores que atuam no instituto, enquanto a reestruturação elétrica ocorria, os prédios históricos estavam cada vez mais sobrecarregados eletricamente.

Dentro dos edifícios, parte deles tombados, estão máquinas potentes, laboratório inteiros, como o de farmacologia, no prédio da biblioteca, onde não é difícil perceber estabilizadores ligados em cascata.

Os fios expostos estavam também na área onde pegou fogo, também sobrecarregada eletricamente, segundo pesquisadores. Lá funcionavam, por exemplo, freezers, utilizados para guardar tecidos da coleção para pesquisas.

Segundo a promotora Eliana Passarelli, que cuida do caso, as mudanças na rede elétrica serão alvo de atenção.

Procurado, o diretor do instituto, Otávio Mercadante, não concedeu entrevista. Disse apenas em nota que a Eletropaulo triplicou a cota da instituição.

“As cabines de energia do instituto recebem manutenção anualmente”, afirmou ainda o diretor. “Além disso, está sendo construída uma subestação de abastecimento com previsão de entrega até o final de 2010.”

Fonte: Agencia Estado

Deixe um Comentário


Central Blogs