segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mesmo debaixo de chuva, Killers agita o público no Butantã


O Killers não tem muita sorte quando vem ao Brasil. Se a primeira visita da banda ao país, em 2007, ficou marcada por um traumático atraso de três horas em São Paulo, no Tim Festival, dessa vez o grupo de Brandon Flowers poderia ser ofuscado pela chuva insistente que caiu na capital paulista durante o último sábado (21). Mas a prova do trunfo do Killers é que nem as generosas poças de lama que sujaram o público na desfavorável Chácara do Jóckey, localizada no Butantã, que abrigou o show e guarda um histórico de transtornos por difícil acesso e pouco conforto, apagou o brilho do grupo de Las Vegas.

Eram 20h15 quando o Killers deu os primeiros acordes no palco e as pessoas ainda chegavam ao local. Se a falta de pontualidade da primeira vez em São Paulo deu margem de folga para os atrasados, dessa vez foi preciso correr para pegar o início do show, que estava marcado para as 20h. Início este que veio com “Human”, primeiro single do novo “Day & Age” (2008) e presença constante nas pistas de dança. A música poderia ser a carta na manga desperdiçada do Killers, mas, pelo contrário, é só uma dos muitos hits que o grupo já consagrou.

Com apenas três discos lançados em apenas cinco anos, a banda fez um show de pouco mais de uma hora e meia com 18 músicas: em números, 16 hits que todos sabiam cantar e dois covers que foram gravados no disco de lados B “Sawdust” (2007), mas que poderiam facilmente ser trocados por qualquer outra faixa do repertório da banda, como “Sam’s Town”, “I Can’t Stay” ou “Losing Touch”.

Qualquer um que tenha a sorte de ver o Killers de perto provavelmente assina o atestado de que a banda é de tirar o fôlego. Não há uma música que deixe alguém ficar parado. Se “This Is Your Life” desacelera o ritmo ao entrar na sequência de “Human” certamente é para deixar os fãs respirarem e tomarem novo ar para aguentar de uma só vez “Somebody Told Me”, “For Reasons Unknow” e “Bones”.

“The World We Live In” também surge numa bonita versão para acalmar os ânimos e introduzir “Joy Ride”. A dançante “Human” reaparece em passo lento com Flowers sozinho ao piano, errando notas e desistindo de tocar a música. Ninguém se importou com os dedos atrapalhados do cantor ao teclado. Assim como ninguém se importou também com a chuva constante, nem de pular sob as poças de lama que se formaram por todo o local ou mesmo com o barro grudado nas roupas e nos sapatos. E quem liga de estar sujo, enlameado e molhado quando se tem um grande espetáculo para assistir?

O show do Killers é imponente e o som é grandioso, repleto das camadas de sintetizadores que mostraram o grupo ao mundo. Ao vivo se vê que é uma banda de verdade, para estar no palco, e não apenas um produto de estúdio gravado em CDs. Flowers canta suas músicas entusiasmado e apaixonado, como se cada faixa pudesse a qualquer momento estourar para fora do peito em uma explosão mágica para todo mundo ver. O baterista Ronnie Vannucci dá um show em seu instrumento, toca de pé e bate com força, enquanto o guitarrista Dave Keuning tem momentos de rockstar e Mark Stoermer, discretamente, destrói no baixo.

O cenário que veio ao Brasil é o mesmo que aparece no primeiro DVD ao vivo da banda, “Live From The Royal Albert Hall”, lançado este mês. Palmeiras espalhadas pelo palco dividem cena com um telão enorme e a pequena letra K luminosa –que aqui permaneceu apagada– à frente dos músicos. Tudo para compor o espetáculo que é o show: há fumaças, explosões, muitas luzes e chuva de papel picado, que caem ao som de “All These Things That I’ve Done” e do verso repetido à exaustão “I got soul, but I’m not a soldier”.

É possível destacar entre outros melhores momentos a intensa “Dustland Fairytale” emendada com um trecho de “Can’t Help Falling In Love”, que Elvis Presley deu à fama, a presença de “Joy Ride” que ainda não havia aparecido na turnê latino-americana e a versão mais limpa de “Smile Like You Mean It”. Se o repertório de muitos sucessos chega ao auge com “Mr. Brightside”, segundo single do estreante “Hot Fuss” (2004), o bis ganha ares apoteóticos com “Jenny Was A Friend Of Mine” e “When You Were Young”, essa última pinçada de “Sam’s Town” (2006).

Não há espaço para não ser contagiado pelo Killers nem música que nunca se tenha ouvido antes. “Vocês são corajosos [de estarem na chuva], São Paulo”, testemunha Flowers protegido da chuva. Corajosos, sujos e molhados, o público parecia mesmo satisfeito com o espetáculo de uma banda sob medida para se ver ao vivo. Com sorte ou não.

Veja as músicas que o Killers tocou em São Paulo:

“Human”
“This Is Your Life”
“Somebody Told Me”
“For Reasons Unknown”
“Bones”
“The World We Live In”
“Joy Ride”
“Human” (versão no piano)
“Bling (Confession of a King)”
“Shadowplay” (cover do Joy Division)
“Smile Like You Mean It”
“Spaceman”
“A Dustland Fairytale”
“Can’t Help Falling in Love” (cover de Elvis Presley)
“Read My Mind”
“Mr. Brightside”
“All These Things That I’ve Done”
(bis)
“Jenny Was A Friend Of Mine”
“When You Were Young”

Fonte: UOL

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