quinta-feira, 25 de junho de 2009

Vacina contra a gripe suína deve ser lançada em setembro pelo Instituto Butantã


Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) querem utilizar culturas de células animais para produzir vacinas contra qualquer tipo de gripe. A nova técnica, que prescinde dos ovos, aceleraria a produção da vacina durante uma pandemia. A indústria farmacêutica Novartis, por exemplo, anunciou para setembro o lançamento de uma vacina específica contra a gripe suína produzida em culturas de células. Os primeiros testes clínicos com a nova vacina brasileira podem levar, no mínimo, dois ou três anos para começar. Até lá, o Centro de Pesquisas René Rachou, em Belo Horizonte (MG), e o laboratório público Bio-Manguinhos, no Rio, ligados à Fiocruz, pretendem estabelecer a tecnologia para iniciar a produção.

Até o fim do ano, o País, por meio do Instituto Butantã, pretende fabricar doses de vacina usando ovos de galinha. Segundo o gerente do Programa de Desenvolvimento de Vacinas Virais de Bio-Manguinhos, Marcos Freire, não há intenção de competir com o Butantã, que deve suprir a demanda do esforço nacional de imunização contra a gripe. “Em um primeiro momento, queremos apenas desenvolver a técnica no País”, explica Freire. “Seria usada em situações emergenciais: se houvesse uma nova pandemia, poderíamos produzir rápido uma vacina.” Se o protocolo estiver bem descrito, o pesquisador aposta que seria possível adaptar, em regime de urgência, fábricas usadas para a produção de outros biofármacos.

MÉTODO

O pesquisador Alexandre de Magalhães Vieira Machado, do Centro de Pesquisas René Rachou, aprendeu a técnica no Instituto Pasteur, de Paris, onde realizou seu doutorado. O método, conhecido como genética reversa, lança mão da biologia molecular para fabricar microrganismos com poucas chances de realizar uma infecção, mas capazes de estimular a resposta do nosso sistema de defesa. Os pesquisadores combinam o material genético do vírus pandêmico com o de um vírus inofensivo chamado PR8.

Como há controle estrito dos genes do vírus resultante, Machado argumenta que a técnica pode ser mais segura do que outros métodos de produção de vacinas. “Além disso, não precisaremos de um vírus desenvolvido lá fora”, pondera Freire para a vacina. “Teremos independência.” O pesquisador também aponta um ganho econômico: com um ovo, Bio-Manguinhos produz 400 doses de vacinas para febre amarela; na imunização contra a gripe, cada ovo processado corresponde a uma única dose. A cultura de células representaria uma solução com um rendimento maior.(AE)

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