Servidor da Prefeitura preserva o legado de uma das famílias que impulsionaram a industrialização de São Paulo

A História dos Matarazzo e a Industrialização de São Paulo

As Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, também conhecidas como IRFM, surgiram em 1882 através do imigrante italiano Francesco Matarazzo. Ele começou um pequeno comércio de secos e molhados em Sorocaba, São Paulo. O negócio prosperou rapidamente, e em 1883, Francesco diversificou suas atividades ao abrir a primeira fábrica de banha. A partir desse momento, a trajetória da família Matarazzo seria marcada por um crescimento impressionante.

No início do século XX, em 1900, foi inaugurado o Moinho Matarazzo, um marco importante na expansão industrial do clã, culminando em 1911 com a consolidação de suas atividades sob a bandeira das IRFM. Durante seu auge, nas décadas de 1940 e 1950, o conglomerado chegou a contar com aproximadamente 200 fábricas e empregar cerca de 30 mil trabalhadores em diversas áreas, incluindo alimentos, têxteis, produtos químicos, embalagens e materiais de construção. Com isso, as Indústrias Matarazzo se tornaram o maior grupo empresarial da América Latina.

O Papel de Everton Calício na Preservação Histórica

O serviço prestado por Everton Calício, um servidor público e apaixonado pela história dos Matarazzo, representa um elo entre o passado e o presente. Ele tem se dedicado a pesquisas que resgatam a memória de uma das famílias mais icônicas da industrialização brasileira. Fortemente inspirado desde a infância, Calício trabalha na Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento e, nesse papel, busca preservar e disseminar a rica história da família Matarazzo, essencial para compreender o desenvolvimento de São Paulo.

legado dos Matarazzo

Início da Pesquisa: Da Curiosidade à Dedicação

A trajetória de Everton começou aos 11 anos, quando o jovem ficou intrigado ao assistir a uma reportagem sobre a demolição da Mansão Matarazzo na Avenida Paulista. Este interesse se transformou em uma verdadeira investigação ao longo dos anos. Frequentando a Biblioteca Municipal Adelpha Figueiredo, ele mergulhou em jornais e documentos históricos, procurando informações que lhe permitissem traçar um panorama sobre a família. O livro “Matarazzo – 100 anos” foi um marco nessa busca, solidificando sua admiração pela história do legado familiar.

Peças e Documentos: Construindo um Acervo Pessoal

Calício não só investigou, mas também começou a construir um acervo pessoal com itens relacionados aos Matarazzo. Um dos destaques de sua coleção é uma lata de biscoitos da marca que se tornou um símbolo pessoal. Essa lata, além de representar um produto fabricado pela IRFM, inclui imagens que fazem referência a pontos históricos de São Paulo, revelando o amor de Everton pela cidade.

O Encontro com Maria Pia Matarazzo

Durante a vida adulta, a relação de Everton com a família Matarazzo se fortaleceu ainda mais quando ele teve a chance de apresentar seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), focado em Maria Pia Matarazzo, neta do fundador. Em sua busca por se conectar com figuras da história, ele enviou um buquê de flores e um bilhete a Maria Pia, expressando seu desejo de compartilhar seu trabalho. O resultado foi um retorno positivo, onde Maria Pia reconheceu e apreciou a dedicação de Everton em pesquisar sua trajetória.

A Relíquia de uma Lata de Biscoitos

A lata de biscoitos adquirida por Everton não é apenas um item de coleção; ela é uma relíquia que encapsula sua história pessoal e sua relação com a família Matarazzo. Para ele, esse objeto possui uma significação emocional, atuando como uma ponte para a memória do passado e a história industrial de São Paulo.

Desenvolvimento da Tese sobre Maria Pia

O trabalho de Everton se transformou em algo mais em sua formação acadêmica, quando ele focou no papel de Maria Pia em um contexto histórico complexo, como a ditadura militar no Brasil. Esse aprofundamento não só serviu para a sua formação, mas também para preservar a história de uma mulher que foi significativa para a continuidade do legado dos Matarazzo.

Influências e Amizades na Jornada de Pesquisa

O percurso de Everton não seria o mesmo sem pessoas-chave que apoiaram e influenciaram sua pesquisa. A amizade com a historiadora Cristina Carvalho, que começou quando ele ainda era adolescente, se mostrou vital. Essas conexões ao longo dos anos culminaram na realização de exposições, elevando ainda mais a visibilidade da história da família Matarazzo e sua importância.

A Importância do Edifício Matarazzo

Outro ponto que emociona Everton é o Edifício Conde Matarazzo, sede da Prefeitura de São Paulo. Ele não apenas representa um marco histórico, mas também a fortaleza e a influência do conglomerado industrial na cidade. O edifício, projetado por Marcello Piacentini, é descrito por Everton como um símbolo da herança da indústria Matarazzo, que contribuiu significativamente para o desenvolvimento da moda e da cultura na cidade.

O Legado da Indústria e sua Relevância Atual

A trajetória das Indústrias Matarazzo não se limita apenas ao passado glorioso. O legado da família continua a ressoar na cidade e em sua cultura. O reconhecimento das contribuições dos Matarazzo é essencial para entender São Paulo, sua luta, transformação e crescimento ao longo do tempo. No coração da cidade, servindo como uma biblioteca e um espaço para a conservação da história, Everton Calício tem se tornado um guardião desse legado, apaixonado por preservar e contar a história de uma das figuras mais importantes da industrialização brasileira.

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