Captação e ‘rateio’: entenda papel de advogado em esquema de propina em SP

O papel de João Buttini na captação de contribuintes

O advogado João Buttini foi detido em uma operação realizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), na manhã do dia três de setembro de 2026. Ele é considerado o principal responsável por captar contribuintes e por mediar o pagamento de valores ilícitos relacionados a créditos tributários na Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP).

Conforme as investigações conduzidas pelo MPSP, Buttini tinha um papel crucial na fundação da estrutura clandestina. Ele negociava com grandes contribuintes, definindo honorários, facilitando a transação de vantagens indevidas e determinando a divisão de valores entre os membros do problema.

Como a propina era estruturada e rateada

A estrutura de propina em que Buttini estava envolvido permitia a distribuição de recursos obtidos de forma irregular com uma sistemática que incluía desde o pagamento de vantagens para agentes públicos até a configuração da propina como se fosse uma mercadoria, com preços e divisões percentuais bem estabelecidas.

captação e rateio

Foi identificado que Buttini transferiu cerca de R$ 13 milhões em pagamentos indevidos entre os anos de 2021 e 2025. Essa quantia era direcionada, principalmente, ao ex-Delega Regional Tributário da DRTC-III, que supervisionava operações em uma localidade específica de São Paulo.

As principais consequências legais para os envolvidos

O MPSP pediu a prisão preventiva de Buttini e do ex-diretor-geral da Secretaria da Fazenda, André Weiss, que também foi detido. Com a ação, a investigação indica possíveis delitos como corrupção ativa, corrupção passiva, lançamentos indevidos e lavagem de dinheiro.

Os resultados preliminares da investigação também levaram ao afastamento de seis servidores da Sefaz-SP e a desaprovação de trinta outros indivíduos relacionados. Isso demonstra a seriedade das acusações e seu impacto na administração tributária estadual.

Investigação do MPSP e suas descobertas

A pesquisa feita pelo MPSP revelou movimentações financeiras exorbitantes, incluindo R$ 383,4 milhões movimentados em transações que possivelmente tinham a intenção de ocultar a origem dos valores. A quebra de sigilo bancário expôs que mais de R$ 140 milhões foram pagos ao grupo de advocacia associado a Buttini.

Observações feitas em anotações encontradas na casa de um colaborador no processo detalharam divisões percentuais relacionadas a pagamentos, evidenciando a sistemática de como as vantagens foram administradas entre os envolvidos.

Impactos na administração tributária de SP

A atividade ilícita de Buttini e seus pares impactou diretamente a administração tributária de São Paulo, permitindo que contribuintes milionários se beneficiassem de isenções e facilidades que geralmente não seriam acessíveis. O MPSP relata que a manipulação de procedimentos fiscais acarretou em perdas significativas ao Estado, em um contexto que precisa ser controlado rigorosamente para evitar prejuízos ao erário.

A lavagem de dinheiro no esquema

O esquema também indicou a prática de lavagem de dinheiro, onde Buttini utilizou uma rede de empresas para dar origem e movimentar os recursos obtidos de maneira ilegal. Essa estratégia serviu para mascarar a procedência dos valores, fazendo parecer que eram oriundos de operações legítimas, o que é considerado um crime ilícito severo pelo sistema judicial brasileiro.

Transações financeiras suspeitas expostas

Um dos pontos críticos da investigação foi a movimentação de quantias substanciais que coincidiam com as datas dos pagamentos que deveriam ser feitos aos agentes públicos, reforçando a suspeita de que cada transação tinha um propósito relacionado às atividades ilícitas. Por exemplo, um evento de transferência de R$ 1 milhão pela banca de Buttini ocorreu exatamente um dia antes de um cobrança recebida pelo advogado por meio de sua conta pessoal.

A relação entre advogados e a Sefaz-SP

A relação entre os advogados, como Buttini, e a Sefaz-SP revela um padrão preocupante onde o acesso à informação privilegiada e a capacidade de influenciar decisões fiscais são utilizados para benefício mercenário. A atuação dos advogados, dentro do contexto de suas funções, envolve não apenas a representação de clientes, mas também uma conexão proveitosa com agentes do governo que deve ser monitorada de perto para garantir a transparência das operações tributárias.

Análise dos documentos apreendidos

Os documentos coletados durante o cumprimento dos mandados de busca desvendam como o esquema funcionava na prática. Anotações realizadas por Weiss, que envolviam discussões sobre lavagem de dinheiro e mensurações financeiras em reuniões reservadas, foram cruciais para estabelecer a estrutura da propina e as interações entre os agentes envolvidos.

Opiniões da defesa e reações da Secretaria da Fazenda

A defesa de João Buttini declarou que está se inteirando dos detalhes da investigação e está disposta a colaborar com as autoridades, assim que tiver acesso completo aos autos do caso. Eles enfatizam a intenção de esclarecer quaisquer dúvidas sobre o papel de Buttini na estrutura investigada e esperam uma resolução justa.

A Secretaria da Fazenda, por sua vez, confirmou que está cooperando com os órgãos de investigação e reafirmou seu comprometimento em manter a integridade do sistema tributário. Desde o início da Operação Ícaro, a pasta tem conduzido ações rigorosas para identificar e penalizar práticas inadequadas, garantindo que a fiscalização seja continuamente reformulada para evitar novos episódios de corrupção.

As seguintes apurações continuarão a mitigar práticas irregulares e garantirão a responsabilização de todos vinculados ao esquema, destacando o compromisso do governo em preservar a confiança da sociedade no sistema de arrecadação de impostos e na administração pública.

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