Prefeitura promove evento sobre inovação em prevenção ao HIV

O que foi o evento?

No dia 28 de dezembro de 2025, ocorreu em São Paulo a 17ª edição do Seminário de Pesquisas em IST/Aids, um evento de grande importância para o debate sobre prevenção ao HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Promovido pela Coordenadoria de IST/Aids da Secretaria Municipal da Saúde, o seminário reuniu especialistas, gestores públicos e trabalhadores da saúde em um ambiente colaborativo, voltado para a troca de experiências e o aprimoramento das práticas de saúde pública.

Durante o evento, foi apresentado o estudo ImPrEP LEN Brasil, que objetiva avaliar a adesão de públicos específicos a uma nova profilaxia injetável semestral contra o vírus HIV. Este tipo de medicamento representa um avanço significativo nas opções de prevenção, destacando-se por sua eficácia e a praticidade de ser administrado a cada seis meses.

A mesa de abertura contou com a presença de importantes figuras do setor de saúde, incluindo Cristina Abbate, coordenadora de IST/Aids da cidade de São Paulo; Sandra Sabino, secretária-executiva da Atenção Básica, Especialidades e Vigilância em Saúde; entre outros especialistas. O objetivo era criar um espaço de diálogo que não apenas promovesse a ciência, mas também contribuísse para um sistema de saúde mais inclusivo e humano.

evento sobre inovação em prevenção ao HIV

Importância da prevenção ao HIV

A prevenção ao HIV é uma questão de saúde pública de extrema relevância, não apenas em São Paulo, mas em todo o Brasil e no mundo. Apesar dos avanços no tratamento do HIV, a importância da profilaxia e da educação preventiva se torna ainda mais evidente em um cenário onde novas infecções ainda são registradas. O VIH é uma temática que requer atenção constante, pois a ignorância e o estigma ainda envolvem o conhecimento sobre a doença.

Programas educacionais que informam sobre a transmissão do HIV, métodos de prevenção e a importância do teste regular são fundamentais para reduzir a incidência do vírus. O conhecimento é uma das ferramentas mais poderosas na luta contra a AIDS, e iniciativas que promovem a inclusão social e combatem a discriminação são essenciais para criar um ambiente onde as pessoas se sintam seguras para buscar ajuda e tratamento.

Os avanços na profilaxia injetável

Durante o seminário, uma das inovações mais importantes apresentadas foi a profilaxia injetável chamada lenacapavir, que está em avaliação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esta nova alternativa oferece uma opção de profilaxia altamente eficaz, podendo ser administrada semestralmente, ao contrário dos métodos diários, que demandam disciplina contínua do usuário.

Os resultados preliminares dos estudos mostram que a introdução de um método de administração menos frequente pode ter um grande impacto na adesão dos grupos que tradicionalmente enfrentam desafios em manter um regime de prevenção. Isso é particularmente relevante entre populações vulneráveis, que incluem homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e jovens de até 30 anos.

Além disso, a disponibilização desse medicamento poderia promover uma verdadeira revolução nas estratégias de saúde pública no que tange à prevenção do HIV, permitindo que indivíduos adotem medidas mais práticas em seus cuidados pessoais.

Participação da comunidade e especialistas

A participação ativa da comunidade e de especialistas é vital para o sucesso de iniciativas de prevenção ao HIV. Durante o seminário, a colaboração entre pesquisadores e a comunidade foi enfatizada como parte de um modelo inclusivo que busca desenvolver práticas que atendam às necessidades reais das populações mais afetadas pelo vírus.

Especificamente, a interação entre as comunidades e os pesquisadores pode resultar em programas de saúde mais ajustados e eficazes. Exemplos disso incluem as unidades itinerantes de testagem e aconselhamento que circulam pela cidade, proporcionando testes rápidos e informações sobre profilaxias em áreas de maior vulnerabilidade social.

Dados sobre infecções em São Paulo

Dados recentes indicam que São Paulo tem conseguido manter um êxito significativo na redução do número de novas infecções por HIV. A capital paulista registrou uma redução de 53% em novos casos desde 2016, refletindo o impacto positivo das políticas públicas implementadas. Em 2024, foram contabilizados 1.766 novos casos de HIV, uma queda notável em relação aos 3.761 casos registrados em 2016.



O esforço concentrado em políticas de profilaxia pré-exposição (PrEP) e pós-exposição (PEP) tem sido um fator crucial nessa redução. De acordo com a Coordenadoria de IST/Aids, a cidade abriga mais da metade das PrEPs do Brasil, e a adesão a esses programas tem crescido, com 18.500 novos cadastros somente entre janeiro e outubro de 2025.

A estratégia de acesso às profilaxias

A estratégia de acesso a profilaxias em São Paulo tem se mostrado inovadora e eficaz. A cidade conta com uma extensa rede de serviços, incluindo Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs) e Serviços de Atenção Especializada (SAEs), além de ações extramuros. Iniciativas como as opções de retirada de PrEP e PEP em máquinas automáticas nas estações de metrô são um exemplo de como a logística pode ser utilizada para facilitar o acesso a esses tratamentos.

Essas máquinas já retiraram mais de 7.500 profilaxias, demonstrando a eficácia de abordagens que quebrem barreiras de acesso. Este tipo de inovação permite que mais pessoas tenham acesso a métodos de prevenção de forma rápida e prática, algo essencial em tempos de alta mobilidade urbana.

Resultados da pesquisa ImPrEP LEN Brasil

Os resultados do estudo ImPrEP LEN Brasil prometem trazer informações valiosas sobre a adesão à nova profilaxia injetável. A pesquisa abrangerá sete cidades brasileiras e incluirá a participação de homens que fazem sexo com homens, pessoas transgênero e não binárias, com um foco especial na faixa etária entre 16 e 30 anos. Este enfoque busca compreender melhor as dinâmicas de aceitação e uso do novo método de prevenção.

A adesão a tratamentos de saúde muitas vezes depende de fatores sociais, culturais e individuais que influenciam as decisões das pessoas em relação ao cuidado com a saúde. A pesquisa ImPrEP buscará desmistificar possíveis barreiras e promover um diálogo construtivo sobre práticas de prevenção.

Reflexões sobre o combate ao estigma

O estigma associado ao HIV ainda é um dos maiores obstáculos enfrentados por pessoas que vivem com o vírus e por aquelas que buscam prevenção. Um dos objetivos do seminário foi provocar uma reflexão aprofundada sobre como o combate ao estigma não deve se limitar apenas à esfera da saúde, mas deve se estender a toda a sociedade.

Iniciativas que buscam deslegitimar preconceitos e promover a aceitação são fundamentais. Trabalhar para que a sociedade como um todo seja inclusiva e empática é um caminho essencial para garantir que as pessoas se sintam seguras ao procurar ajuda e tratamento. A discussão sobre políticas de saúde deve incluir o enfrentamento de tabus e mitos que cercam o HIV e a AIDS.

Futuro das políticas públicas em IST/Aids

O futuro das políticas públicas relacionadas às infecções sexualmente transmissíveis e o HIV deve se centrar na inovação e na inclusão. A administração de São Paulo tem se mostrado aberta a novas abordagens e disposta a incorporar resultados de pesquisas em suas estratégias de saúde pública.

Com um compromisso contínuo de reduzir novas infecções e oferecer suporte a pessoas vivendo com HIV, as políticas devem continuar a evoluir e se adaptar às necessidades da população. O foco em tecnologias emergentes e a inclusão de novas opções de tratamento destacam um futuro otimista na luta contra o HIV.

Como a tecnologia auxilia no tratamento

A tecnologia desempenha um papel cada vez mais importante na luta contra o HIV. Nesse sentido, ferramentas como aplicativos que facilitam o acesso a informações, prescrição e agendamentos de testes são essenciais para a promoção da saúde pública.

Além disso, iniciativas que utilizam a tecnologia para a entrega de medicamentos e suporte ao tratamento têm se mostrado promissoras. O uso de máquinas automáticas, por exemplo, representa uma inovação na forma como as profilaxias são disponibilizadas à população, garantindo que a terapia esteja mais acessível em locais estratégicos.

Com a contínua evolução da tecnologia, espera-se que novas plataformas e métodos surjam, aprimorando não apenas a administração de tratamentos, mas também a coleta de dados e análise de resultados, o que pode levar a uma identificação mais precisa das necessidades da população e aprimoramento das políticas de saúde pública.