Testes de vacina contra dengue em humanos devem começar em 2009, diz pesquisadores do Instituto Butantan

A explosão recente de casos de dengue no Brasil fez o Instituto Butantã de São Paulo acelerar os ensaios para a primeira vacina mundial contra a doença. Hoje (2), o presidente do Instituto, Isaías Raw, garantiu que os testes em humanos da imunização começam já no ano que vem e que as doses devem estar prontas para serem aplicadas na população em 2010.

“A situação nacional nos obriga a correr. Não temos mais como assistir o mosquito Aedes aegypti (transmissor da doença) fazer tantas vítimas”, afirmou Raw.

A situação citada pelo pesquisador é referente ao marco histórico da dengue alcançado no ano passado. O Brasil fechou 2007 com 559.954 casos, o Estado de São Paulo com 82 mil e o município com 2.800 – todos os números são recordes.

No início de 2008, mais uma situação de epidemia foi enfrentada pelo Rio de Janeiro: 109 mortes confirmadas e quase 150 mil registros, o que mobilizou os pesquisadores do Butantã.

Segundo Raw, até o final desta semana, as reuniões entre o Instituto e os parceiros internacionais, dos Institutos de Saúde Pública dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) e da Fundação Path, chefiada pelo empresário Bill Gates, vão definir em quais locais a vacina será testada em humanos. “O cenário ideal é que os ensaios clínicos sejam feitos no Brasil, mas também em outro país que tenha o histórico de dengue. Isso porque por aqui não há circulação do vírus tipo 4, por exemplo, e, além disso, existem outras nações que já possuem um embasamento teórico sobre a dengue, mais avançado do que os dados brasileiros.”



Ainda segundo o presidente do Butantã, a vacina foi desenvolvida nos Estados Unidos porque, “apesar de não haver casos da doença no País, (os norte-americanos) estão interessados nessa pesquisa para imunizar pessoas que saem do país e também soldados”.

Foram realizados testes com macacos infectados com a doença. “Testaram a eficácia da vacina com os quatro sorotipos do vírus”, aponta Raw. “Funcionou com todos.”

TESTES E DNA – Segundo o pesquisador, já foram realizados testes com seres humanos nos Estados Unidos. “A vacina foi aplicada em alguns voluntários. Queriam ver se eles produziam anticorpos contra a doença. O resultado foi positivo.”

Raw explica que os norte-americanos estudaram o genoma do vírus para produzir a vacina. Puderam assim criar versões geneticamente modificadas do patógeno, incapazes de se reproduzir dentro do organismo humano e de utilizar o mosquito como vetor de transmissão.

DOIS ANOS DE PRAZO – Pela parceria celebrada entre os institutos, os norte-americanos vão transferir todo o conhecimento necessário para a produção da vacina aos brasileiros. O País também realizará testes com seres humanos expostos ao contágio.

Raw afirmou que serão necessários, no mínimo, dois anos para que a vacina comece a ser utilizada na imunização das pessoas.

Fonte: Agencia Estado



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