Preocupados com o aumento da violência no guia Butantã, zona oeste de São Paulo, um grupo de moradores do Jardim das Vertentes mapeou as ruas mais perigosas do bairro e desenvolveu um plano de segurança para a Polícia Militar. Também entregaram o mesmo documento na Subprefeitura do Butantã, para quem pediram a melhoria da iluminação pública de várias vias e a conservação de praças, parques e terrenos, o que ajudaria a coibir a ação de assaltantes na região.
A PM aumentou o patrulhamento nos endereços indicados pelos moradores a partir do último dia 3, dois dias depois da capitã Rachel Candido, comandante da 2ª Companhia do 16º Batalhão, receber o projeto de segurança dos moradores do Butantã. A subprefeitura ficou de analisar as reivindicações. Um abaixo-assinado com 2.956 assinaturas faz parte do documento.
O movimento Butantã Urgente foi criado no dia 5 de novembro, após moradores de seis condomínios da Rua Trajano Reis trocarem informações sobre os casos de assaltos no bairro. Eles notaram um crescimento no número de roubos após a PM implantar a Operação Colina Verde para combater a violência no Morumbi, bairro da zona sul que é vizinho do Butantã. “Tivemos a percepção de que os relatos de casos no nosso bairro aumentaram logo após o reforço policial no Morumbi”, disse o consultor de marketing André Wilian Lima, de 39 anos, representante do comitê do movimento Butantã Urgente.
A Operação Colina Verde começou no dia 24 de agosto. No mês seguinte, os índices de criminalidade registraram queda na região do Morumbi, mas aumentaram no Butantã, de acordo com as estatísticas da Secretaria da Segurança Pública. O número de roubos em geral, que incluem assaltos a pedestres e residências, caiu 54% em setembro, de 207 para 96 casos na área do 34º DP (Morumbi). Também houve redução de 27% na quantidade de casos registrados no mesmo período no 89º DP (Portal do Morumbi): de 94 para 68 casos). Já o 51º DP (Butantã) houve crescimento de 25% no número de casos de roubos em geral: de 93 para 111 ocorrências.
O medo da violência também colaborou para a ressurgimento do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do Butantã, que retomou as atividades no dia 6 de outubro, depois de quase dois anos desativado. “O Conseg Butantã estava desativado por causa da falta de participação da população”, afirmou Izildinha Barosi Souza, presidente do órgão.
Desde a retomada, as reuniões do Conseg tiveram, em média, 60 pessoas. “A maioria dos participantes chega ao Conseg porque foi vítima de criminosos. Os casos que mais preocupam são os assaltos a residência, que são constantes”, disse Izildinha.
De acordo com o advogado David Teixeira de Azevedo, especialista em segurança pública e professor de Direito Penal da Universidade de São Paulo (USP), a iniciativa do movimento Butantã Urgente é positiva. “Nada melhor do que a própria comunidade para identificar os pontos vulneráveis de seu bairro. Mas esse mapeamento já deveria ser feito pelos órgãos públicos, que precisam identificar as áreas perigosas e mal iluminadas de determinada região”, afirmou o especialista.
Fonte: Jornal da Tarde