No Butantã campus da USP é alvo de furtos e gangue da bicicleta assalta do lado de fora

O campus da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, se transformou em alvo dos criminosos. Alunos, funcionários e moradores do entorno da universidade estão sendo alvo de uma gangue de ciclistas e, dentro do campus, a média é de 10 furtos de carros por mês, além de depredações e roubos.

De janeiro a agosto, o Centro de Informações e Análise da Guarda Universitária registrou 568 ocorrências. O furto qualificado teve o maior número de casos: 201, ou 35% dos crimes ocorridos no campus. Foram registrados ainda 48 atos de dano ou depredação, 29 roubos, 11 agressões, 30 furtos simples e 30 furtos de patrimônio da própria universidade.

O aumento da criminalidade pode levar a Polícia Militar de novo para dentro do campus da universidade. O posto da PM foi retirado do campus em 2007 e a segurança vinha sendo mantida pela guarda da Cidade Universitária.

O prefeito da Cidade Universitária, Adílson Carvalho, afirmou que a volta da PM para dentro da universidade foi aprovada na última reunião do conselho da USP. Para inibir os assaltos, serão instaladas 85 câmeras nos quase 4,5 milhões de metros quadrados do campus.

Os universitários estão se organizando em grupos para se proteger dos ciclistas do crime e pedem intensificação das rondas da PM.

Um dos pontos críticos é a entrada e saída de alunos pela Rua Francisco dos Santos, conhecida como entrada da igrejinha, no Jardim Rizzo. É ali que os ladrões usando bicicletas cercam as vítimas, roubam, ameaçam de morte e até espancam.

Os pontos onde mais há incidência de crimes, segundo a guarda, são os limites do campus com a Avenida Corifeu de Azevedo Marques, perto da favela São Remo.

– Há muito furto e roubo, principalmente perto do Hospital Universitário, pois os criminosos conseguem pular o muro e fugir pela favela – contou Juarez Neco, Coordenador do Centro de Planejamento e Controle da Guarda Universitária.

Há um projeto de instalar ali uma guarita blindada, mas ele ainda não saiu do papel.



As delegacias que abrangem a área da USP constataram um aumento de furto de veículos. De janeiro a agosto de 2007, o 93 Distrito Policial (Jaguaré) registrou 321 furtos de veículos na região. Em 2008, no mesmo período, foram 354. Um aumento de 10,28%. A mesma comparação, feita no 51 Distrito Policial (Butantã), mostrou crescimento dos furtos de veículo em 20,61% (232 em 2007 e 280 em 2008). A delegacia do Jaguaré também computou aumento de 47% nos roubos (38 em 2007 para 56 em 2008).

Vandalismo e ameaças às vítimas

Os moradores da Rua Francisco dos Santos, no Jardim Rizzo, fazem um abaixo assinado para pedir ronda ostensiva da PM no local, principalmente nos portões de acesso à USP. No final da rua fica uma entrada de pedestres para alunos da universidade. Como o muro do campus faz limites com a via pública, a rua não tem saída e o movimento na área fica restrito aos alunos, moradores e a gangue de bicicleta.

– A freqüência de alunos é muito grande e os criminosos atacam de manhã até a noite. Só na semana passada fiquei sabendo de uns três assaltos – conta o aposentado Luiz Marques de França, de 78 anos.

O estudante Lucas Pereira, de 13 anos, morador da rua, foi atacado pela gangue da bicicleta.

– Fui cercado por dois deles. Roubaram tudo, mochila, carteira, bilhete único, material escolar – contou.

Antes de fugir, um dos bandidos ameaçou: ‘Vamos matar esse garoto?’”

Por volta das 11h de terça-feira, a aposentada Nilza Vestre, de 67 anos, estacionou seu Palio na Avenida Professor Ernesto de Moraes Leme, perto do Hospital Universitário, onde seu filho, que é médico, trabalha. Cerca de 45 minutos depois, o veículo da aposentada foi alvo de depredação. Duas janelas do carro foram quebradas e, sem achar nada de valor dentro do automóvel, o bandido rabiscou círculos na lataria.

Em nota, a Polícia Militar informou que o policiamento é dinâmico, planejado com base em banco de dados criminais e programas de inteligência. “Entre os meses de janeiro a julho de 2008 foram efetuadas 94 prisões em flagrante delito, apreendidas 10 armas de fogo e recuperados 143 veículos que haviam sido roubados ou furtados. O Batalhão responsável pelo policiamento (16) tem conhecimento das demandas da comunidade do entorno e vem adotando medidas para atendê-las”, diz a nota



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