USP: terceirizados bloqueiam reitoria pelo segundo dia no campus Butantã

Funcionários de uma empresa terceirizada que presta serviços de limpeza na USP, zona oeste de São Paulo, bloqueiam pelo segundo dia seguido a entrada do prédio da reitoria, nesta quarta-feira. Os protestos com paralisações vêm acontecendo desde sexta (8). Eles afirmam que não receberam o salário do último mês. Amanhã, a reitoria do campus Butantã deverá ser fechada de novo.

Por volta das 10h30, havia cerca de 300 pessoas na frente da reitoria, entre terceirizados, membros do Sintusp (sindicato dos servidores da universidade) e estudantes que apoiam o movimento, segundo a diretora do sindicato, Diana Assunção. Há cartazes e um carro de som no local.

“A sujeira que se acumula no campus vem mostrar que o serviço de limpeza não é secundário, porque sem limpeza não tem aula”, diz. Na segunda-feira, aulas chegaram a ser suspensas.

De acordo com Assunção, o Sintusp apoia o movimento, que quer o recebimento imediato dos salários atrasados, e reivindica a “incorporação dos terceirizados ao quadro de funcionários efetivos da universidade”.

A assessoria da USP informou que, conforme ficou decidido em reunião com os manifestantes na segunda-feira (11), o depósito dos valores já foi feito em juízo, e que não há novas reuniões de negociação agendadas.

O que ocorreu, de acordo com a assessoria da USP, é que o repasse feito pela universidade à empresa, previsto em contrato, não pôde ser concretizado porque a prestadora de serviços está inadimplente.



“Diante do contexto atual, a universidade somente poderia creditar em conta judicial o valor retido pela prestação de serviço, em virtude da inscrição da empresa no Cadin (Cadastro de Inadimplência do Estado). A Codage [Coordenadoria de Administração Geral] informa, ainda, que está realizando esforços para a criação de equipes avulsas de limpeza para atender às situações de maior criticidade”, disse a USP em nota.

Para o Sintusp, a manifestação continua porque os salários ainda não foram pagos –os terceirizados da limpeza recebem, por mês, o valor bruto de R$ 598. A USP rebate dizendo que o depósito feito em juízo demora alguns dias para cair na conta dos trabalhadores.

TERCEIRO DIA

Para esta quinta-feira (14), servidores efetivos que trabalham na reitoria planejam outro bloqueio da entrada do prédio, no terceiro dia consecutivo de protesto no local.

Segundo o Sintusp, os funcionários do prédio da reitoria são contrários à determinação do reitor, João Grandino Rodas, de transferir as atividades de 125 desses servidores para o Centro Empresarial de São Paulo, em Santo Amaro (zona sul).

Segundo Domenico Colacicco Neto, do Sintusp, a transferência para fora do espaço da universidade foi “unilateral”, e a reitoria quer, com a medida, desmobilizar os funcionários e prevenir futuros protestos.

Em comunicado, a reitoria afirma que os funcionários transferidos foram individualmente consultados e concordaram com a mudança. O mesmo comunicado diz que a administração da USP precisa de um local novo e moderno que “assegure seus serviços computacionais essenciais, incluindo seus back-ups”.

Fonte: Folha.com



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