Conselho Gestor da USP quer abrir discussão sobre presença da PM no campus Butantã

A reunião do Conselho Gestor da USP (Universidade de São Paulo), que durou quase três horas nesta sexta-feira (20), terminou com a elaboração de um protocolo que será entregue à reitoria da universidade propondo a discussão sobre a presença da Polícia Militar no campus Butantã, na zona oeste de São Paulo. O presidente do conselho, José Roberto Cardoso, explicou que o documento precisa da aprovação da reitoria para, só depois, serem discutidas as ações da PM dentro do campus.

– Nós não estamos em um ambiente diferente do que todo mundo está. O que ocorre aqui dentro é exatamente o que ocorre lá fora. O que o conselho fez foi estabelecer um protocolo e reconhecer que há necessidade do estabelecimento da PM no campus.

Michel Michaelovith de Mahiques, vice-presidente do conselho, disse que algumas medidas de segurança já estavam sendo discutidas antes mesmo da morte do estudante da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade), Felipe Ramos de Paiva, na quarta-feira (18). Entre elas, estava o aumento do efetivo da guarda e a melhora na iluminação.

Segundo Mahiques, na semana que vem deve ser publicado o edital para fazer mudanças na iluminação do campus.



O presidente do DCE (Diretório Central Estudantil), Adriano Fuentes, saiu insatisfeito da reunião. Como único representante dos alunos no encontro, ele afirmou que já sabia o que seria proposto e não concorda com a presença da PM no campus.

Para ele, a Polícia Militar pode trazer repressões em um ambiente acadêmico. Fuentes defendeu o aumento da guarda universitária.

– Isso preocupa porque há muitos problemas com a atitude da PM hoje em dia. A própria sociedade sofre com o abuso de poder. Nós estamos dentro de uma universidade onde temos que ter uma liberdade de expressão muito maior e [a PM] acaba prejudicando a própria academia.

Ele também contou que um guarda tentou se manifestar durante a reunião e sua fala foi vetada por membros do Conselho Gestor. O presidente do órgão se defendeu da acusação do estudante.

– Nós não podemos deixar um membro da guarda se manifestar porque ele não faz parte do conselho.

Atualmente, a  polícia faz apenas blitze esporádicas no campus para tentar evitar o roubo de carros e sequestros relâmpagos.

Fonte: R7



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