Consórcio rebate MP sobre alteração no projeto do Metrô da linha Amarela, que passará pela região do Butantã

São Paulo – O Consórcio Via Amarela (responsável pelas obras da linha Luz / Vila Sônia) rebateu ontem a tese apresentada na semana passada pelo Ministério Público Estadual (MPE) de que houve desrespeito ao projeto de construção da futura Estação Pinheiros do Metrô, na zona oeste de São Paulo. Embora confirme a inversão do sentido de escavação do túnel em relação ao estabelecido pelo projeto, o diretor do consórcio, Márcio Pellegrini, alegou que tratava-se apenas de uma indicação e não de uma imposição dos projetistas da Engecorps.O executivo evocou a nota número 2 do projeto, que diz: “Em posições de natureza construtiva, poderão igualmente acarretar modificações no método construtivo.” Para Pellegrini, “a decisão de alterar cabe ao executante da obra”. “Quem fez essa afirmação (de que houve inversão do sentido de escavação) viu, mas não leu o projeto. Não há nada de errado.” Ainda segundo o representante do Via Amarela, os trabalhos foram feitos no sentido Rua Capri em direção ao poço da Estação Pinheiros. Os projetistas orientavam o contrário. “Essa mudança pode ocorrer por diversos motivos. Naquela ocasião, resolvemos começar pelo outro lado porque estávamos colocando o concreto definitivo no túnel que passa sob o Rio Pinheiros”, justificou o diretor.O consórcio também contestou a afirmação do MPE sobre o número de cambotas (estruturas metálicas de sustentação do túnel) encontradas pelos peritos. O diário de obras assinado por um funcionário do Via Amarela e ratificado por um técnico do Metrô diz que, antes do acidente, havia duas cambotas na parede do túnel vizinha ao prédio da Editora Abril e cinco ao lado do Edifício Passarelli. Porém, os investigadores só localizaram duas de cada lado. “Isso é improcedente”, reagiu Pellegrini. “Não há qualquer possibilidade de haver cambotas a menos.”



O MPE afirma ainda que as empreiteiras aumentaram o ritmo de escavação nos dias que antecederam a tragédia. O volume de terra retirado do canteiro nos dez primeiros dias de janeiro de 2007 foi semelhante ao registrado em todo o mês de dezembro de 2006. O consórcio não comentou a acusação. O promotor Arnaldo Hossepian Júnior, um dos responsáveis pelo inquérito criminal que apura as causas da tragédia, preferiu não polemizar e manteve a versão dada na semana passada.

Fonte: O Estado de S. Paulo (AE)





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