RIO E SÃO PAULO – O ex-secretário do PT Silvio Pereira, o Silvinho, iniciou nesta quarta-feira as 750 horas de trabalho comunitário na subprefeitura do Butantã, na zona oeste de São Paulo. Ele se apresentou ao órgão às 8h05m da manhã e deve trabalhar toda quarta-feira, das 8h ao meio-dia. O trabalho determinado pela subprefeitura para o ex-secretário petista é o de zeladoria urbana, que corresponde à fiscalização de obras e serviços municipais, como construção de guias e sarjetas, poda de árvores e corte de gramas em praças.
O acordo fechado entre Silvinho e a Justiça suspende o processo que seria movido contra o ex-secretário sob acusação de formação de quadrilha, no caso do mensalão. Ele deve cumprir o trabalho comunitário durante três anos e, uma vez por mês, segundo seu advogado, tem de se apresentar à Justiça. O processo contra Silvio Pereira poderá ser extinto após ele ter cumprido o trabalho comunitário e todos os requisitos impostos pela Justiça. Nesse caso, Silvinho voltará a ser réu primário.
O trabalho de Silvinho será externo e ele deverá acompanhar a equipe de fiscais municipais que fazem uma espécie de auditoria permanente no trabalho executado pelos prestadores de serviço públicos e funcionários da Prefeitura paulistana. Nesta quarta-feira, no entanto, ele não saiu para a rua. Silvinho aproveitou para conhecer a estrutura da subprefeitura enquanto o grupo de fiscais que deveria acompanhar saiu para um evento com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) na região.
Silvio Pereira chegou ao prédio da subprefeitura do Butantã sozinho em seu carro, um Palio Weekend. Ele não quis dar entrevistas, mas comentou que estava fechando acordo pela manhã, já que leva a filha pequena para a escola todos os dias.
Ex-dirigente do PT não queria trabalhar como zelador
Na quarta-feira passada, Silvio Pereira se apresentou à Subprefeitura do Butantã, mas não aceitou a proposta de trabalhar como zelador. Na sexta-feira, a juíza Silvia Maria Rocha, da 2º Vara Criminal de São Paulo, notificou Silvio Pereira e deu um prazo de 48 horas para que ele iniciasse o cumprimento da prestação de 750 horas de serviços comunitários.
Segundo a defesa de Silvinho, o ex-dirigente do PT queria fazer um trabalho social, não burocrático.
– A preocupação dele é de não fazer um trabalho que seja meramente burocrático. Ele quer efetivamente fazer um trabalho social em benefício da comunidade e da população. Não só burocrático, como por exemplo entrar em uma sala e passar o dia batendo um carimbo. Ele acha que isso não colabora, isso não tem nada de social. Então, seria um projeto que tivesse essa característica de prestação efetivamente de serviço comunitário e social – justificou o advogado Rogério Nemeti.
Silvinho disse que gostaria de fazer um trabalho social com uma cozinha, ensinando crianças e mães a fazer horta comunitária. Mas de acordo com o subprefeito Maurício de Oliveira Pinterich o único serviço que tem para ele no Butantã é o de zelador do bairro. Ele acompanharia uma equipe que fiscaliza a realização de serviços como varrição de rua e limpeza de bueiros na região.
De acordo com o Ministério Público, em casos como esse, o réu tem direito a se recusar a cumprir a pena alternativa se considerar o serviço humilhante ou sem caráter comunitário.
