Adesão à greve dos professores do Estado é baixa, mas afeta região do Butantã

Movimento desencadeado na sexta-feira exige a revogação do decreto que inibe mudança de docente

Marcela Spinosa e Maria Rehder

Pelo menos 4,6 mil professores não deram aulas ontem na rede estadual de ensino por causa da greve anunciada na última sexta-feira pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). No entanto, não houve adesão de toda a categoria.

A reportagem encontrou ontem na capital escolas em pleno funcionamento e outras que tiveram as aulas suspensas. Sindicato e governo do Estado divergem quanto ao número de professores da rede que não trabalharam.

De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, 4,6 mil professores aderiram à greve, ou seja, cerca de 2% dos 230 mil docentes. Já o levantamento da Apeoesp indica que os alunos de 50% dos 5,3 mil colégios da rede estadual não tiveram aulas ontem.

A Secretaria Estadual da Educação divulgou nota pedindo para que “os pais levem hoje seus filhos à escola e para que os professores que aderiram a uma greve política reflitam e revejam a decisão”.

A categoria, representada pela Apeoesp, pede a revogação de decreto publicado no dia 28 de maio pelo governo do Estado que impõe mudanças na estruturação da carreira, entre elas restrições à transferência de professores que ingressaram a partir deste ano na rede. Outra disposição do decreto criticada pelo sindicato é a aplicação de uma “provinha” para os professores temporários que forem assumir turmas nas escolas estaduais. Até então, apenas os anos de experiência na rede estadual é que eram levados em consideração.

SEM REVOGAÇÃO

Segundo a secretaria, o decreto não será revogado e não há previsão de uma reunião entre sindicato e governo. Na próxima sexta-feira, os professores se reunirão em assembléia no vão livre do Masp para decidir se continuam com a greve.



Pela nova norma, os profissionais que ingressarem na rede a partir de 2008 só podem mudar de colégio após três anos na mesma instituição. “O professor ingressante escolhe onde tem vaga e, depois, quer voltar a trabalhar perto de casa. Se isso não acontece, ele pede demissão”, afirma o presidente da Apeoesp Carlos Ramiro de Castro. O vaivém dos profissionais da educação, de acordo com o sindicalista, não atrapalha o rendimento dos alunos. “A remoção acontece uma vez ao ano”, justifica.

Além da revogação do decreto, Ramiro quer a abertura imediata de negociação sobre a pauta de reivindicações com a secretaria. Ele acredita ainda que a partir de hoje o número de professores participantes do movimento será maior.

NA PRÁTICA

A reportagem percorreu 15 escolas de todas as regiões da cidade. Só duas não tiveram aula. Em outras 2, o funcionamento foi parcial. Outras 11 tiveram aula normalmente.

A Escola Estadual Gabriel Ortiz, na Penha, zona leste da cidade, amanheceu fechada. Na porta, dez alunos combinavam o que iam fazer com o tempo livre. “Vamos ao shopping”, disseram. Eles reclamaram que não foram avisados da greve. Quem também não gostou da paralisação foi a mãe de aluno Maria de Oliveira, 52 anos. “Além do ensino ser ruim, é uma falta de respeito com os alunos que vêm de longe para chegar na escola.”

Já na Escola Estadual Virgília Rodrigues Alves de Carvalho Pinto, no Butantã, zona oeste, os alunos foram dispensados mais cedo. “Tivemos duas das quatro aulas”, contou a estudante Mariana Calazans, 17 anos, que disse que os professores de história e português aderiram à greve.

Fonte: O Estado de São Paulo



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